terça-feira, 10 de novembro de 2009

Come on, who wants to come on stage?


maximo p. copacabana club. Montanha Russa

Primal Scream, belos vídeos e bom show.

(...)

O Sonic Youth e a sua onda de beleza com guitarras tinha acabado. Chuva, luz, as fotos em movimento na minha frente. Aquilo não foi um show. Foi algo maior, uma onda atingiu a todos e muitas mandíbulas inferiores não aguentaram o peso da gravidade e se renderam à verticalidade, tanta a intesidade de sentimento na conversa instrumental dos caras. O Planeta Terra de boca aberta. O festival. O planeta ficaria também. Acredito.

O palco já se preparava para aguentar o véio. Mas eu precisava de mais. Mais alucinação, mais irracionalidade - "Razão é repressão, razão é repressão!", mais cerveja cara (a porra do festival e a sua falta de doses de destilado ou cerveja barata). Fila. Pouco tempo. "Rápido, o Iggy já vai entrar". Furei fila, pedi tudo errado. Bêbado querendo ficar mais bêbado. Era o Iggy Pop! Que o bom mocismo ficasse pra depois. Pra outra vida.

00:00. Era hora! Fila. Sem tempo. Deixei o dinheiro e corri pro bom e velho passado. Pra música visceral, que vem da carne. Correria e gritaria: "foi, foi, foi!"
Os Stooges no palco. Iggy com a perna esquerda no lugar da direita, manco, velho e surpreendente. A vitalidade jorrava a cada uso do microfone e balanço do corpo.

O êxtase foi tomando conta dos cadáveres. "Let's get some helpers. Come on up here, help me sing. Come on, who wants to come on stage? Let's add some people". E agora? "Foi!" As pessoas abriam caminho, bastava dizer eu quero subir. A grade chegou muito rápido. Fiz o parto do cara da minha frente e nasci logo em seguida do melhor lado do show. Mergulhei naquela piscina de insanidade. Machucados? Que isso?!

Mas os seguranças já impediam a subida. Quem sabe levei algum soco, empurrão. Caí de cima de uma caixa de um metro e meio junto com mais umas 5 pessoas. Segurança filhodaputa! A razão já era. Chute na repressão, abraço nos amigos e beijo nA mulher que pra minha euforia decidiu cair do lado certo da cerca. "Não vamos sair!". Dança e fotos. Pulos e gritaria. Vida e sujeira. Adrenalina e aprendizado...

Saxofone e todo mundo descendo com mais uns socos e empurrões. Segue o show e as dores começam a aparecer. A perna direita deve ter quebrado, só pode. Manco, mas pulando. Eu e o Iggy. 40 anos de diferença e a vitalidade do véio me ganha nuns 100.

Pausa e volta. The passanger e Lust for life. Entendi. Fomos passageiros na viagem do desejo da vida... nada de racionalidade, sabe? O véio conseguiu dar uma hora (ou meia ou duas ou...) do que ele viveu a vida inteira.

Saiu e as calças caíam. Estava mais nu do que entrou. Nos vestiu com um pouco mais de vida. Levou gritos, aplausos, insanidade, arranhões e hematomas alheios. E quem é mais vivo?

E a crítica? Razão é repressão!

2 comentários:

  1. Aquele velho não é velho. Ele é como um Benjamin Button de espírito. Quanto mais idade tem, mais novo fica.

    Ficadica!

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  2. O velho da um pau na maioria dos guris perdidos nesses palcos do mundo!

    FODA PRA CARALHO!

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